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sexta-feira, 17 de abril de 2015
sábado, 12 de abril de 2014
Para tudo o resto ser nada
Na minha Pátria inventada,
Não há dever de zelo,
Nem dever de obediência.
Aliás, quase não há deveres,
Há principalmente prazeres,
Que cada um,
Com ou sem parcimónia,
Dispõe e põe na praça ou no recato do lar.
Há o direito de chorar,
Sem justificação superior,
E também o direito de rir,
Sem nada que o obrigue a traduzir
Numa explicação óbvia;
Porque quem ri, como quem chora,
Tem razões que são suas,
E o direito à propriedade,
Das sensações, alegrias e aflições,
Cruza-se na minha pátria inventada, de lés-a-lés,
Está decretado, ratificado,
E goza de imunidade especial.
Na minha pátria inventada,
Não há nada que não seja, de modo directo ou indirecto, efeito do afecto.
Estão esquecidos, em mundos vazios e cheios de pó,
O Código Penal e o Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores que Exercem Funções
Públicas,
E ninguém sabe o que são "circunstâncias atenuantes que diminuam
substancialmente a culpa do arguido",
Porque ninguém é ouvido, todos são escutados,
Com fervor e pudor,
E, para que nunca ninguém oiça o que não deve,
As escutas têm filtros de luz recta,
Que coam o importante, e escoam o restante no ecoponto da auscultação
duvidosa.
Na minha pátria inventada, as rosas perfumam os caminhos,
Mesmo os menos trilhados pelos passos treinados
Dos que conhecem a rota,
Porque se pode andar em círculo,
E até andar do avesso,
Desde que se não pare na berma da estrada,
Por desconhecer os sinais que, por razões inexactas,
Estão a céu aberto, no lugar certo.
Na minha pátria inventada, todos os homens e todas as mulheres
São livres, a todas as horas,
Podem beber chá quente e comer gelados intermitentemente,
Que não há risos perante essa insanidade,
Porque ninguém troça da liberdade.
Na minha pátria inventada, não há escravos nem senhores,
Tão pouco valores com os quais se possa carregar um jumento,
Ou igual bicho de carga, cuja extinção, em favor do bicho,
Também foi decretada.
Como prescrita foi a abolição dos deveres conjugais e outros que tais.
Na minha pátria inventada,
Ninguém se parece com o vizinho,
São todos o oposto, e é nesse rosto de desengano que vive a fascinação e
a tentação,
Que é carinho e destino, pecado não.
Na minha pátria inventada, todos são alguma coisa,
Mesmo que essa coisa dita não tenha preço no mercado financeiro,
Ou nas feiras das praças,
Tanto mais que não se vendem pessoas, aos pedaços, nos espaços comercias.
- Está tudo muito bem - diz uma voz que, agora, ouvi.
- Mas lá nesse teu lugar, nessa pátria inventada, nesse país,
Não há um dever, para além do prazer?
- Quem te julgas, ó julgador?
Na minha pátria inventada, todos leram Albert Camus
E conhecem o ímpar dever por ele ditado
Que é o único dever lá consagrado - o de amar,
Ao lado de um direito que lhe assiste
De, por isso, ser amado.
Eis aqui o fundamento da minha pátria inventada,
Onde não há julgamento
Porque o amor o anulou num só despacho regulamentar,
Sua única lei e chão,
Para tudo o resto ser nada,
sábado, 22 de junho de 2013
Letras Portuguesas - Fátima Marinho
Fátima Marinho
"Seguir em frente ou arrepiar caminho são ambas decisões valiosas. A primeira oferece novos horizontes. A segunda pode salvar-nos do abismo."
BIOGRAFIA
Nascida a 21 de Novembro de 1966
Nascida a 21 de Novembro de 1966
em Cuba (atualmente a residir em Lisboa)
Nascida a Sul, sob o vago encantamento da passagem.
Anos 70 "O que sei de mim começou a acontecer por volta dos quatro anos, quando me tornei, de uma só vez, proprietária e agricultora. Cerquei com pedras um pedaço de solo para nele experimentar o direito à propriedade privada e aos afectos dos gestos repetidos. Adoptei-o sem autorização, tal como os homens fundadores da sociedade civil que se apossaram das terras e ousaram chamá-las suas. Também assim fiz. Medi o local frontispício ao pequeno café da minha mãe e passei a cultivá-lo. Não me lembro de alguém ter reparado nesse meu acto insubordinado de emancipação latifundiária.Todos os dias esquadrinhava os movimentos do canteiro, para aprender a força telúrica da terra. Um feijão destacou-se em altura e beleza de todas as outras sementeiras. Orientei o seu crescimento com uma estaca e ele desabrochou em flores.Nessa altura, iniciei também estudos de biologia aplicada. Seguia o coaxar das rãs, nos regatos, para descrever a geografia dos percursos dos batráquios e recolhia cascas de árvores que dispunha por grupos de análise morfológica.Nunca ninguém soube das minhas investigações silenciosas e do destino traçado de cientista/agricultora.O feijão gigante e florido do meu canteiro permanecerá, de entre todas, como a mais estonteante e douta experiência. Por imperativos laborais de meu pai, dele me apartei quando ainda não sabia dividir o tempo em passado e futuro. Soube, todavia, sonhar durante longos dias com o meu feijoeiro todo florido e descobri que, por mais decisivas que sejam as razões da vida, nada manda no que, dentro de nós, continuamos a alimentar e a deixar crescer.Abandonei o ofício de cientista quando comecei a frequentar a escola que sempre temi e desejei em partes iguais. Tive muitas professoras, muitos colegas e inúmeros lugares de carteira, mas o primeiro dia de aulas permanece distinto. As escadas íngremes a terminarem no portão estreito de ferro. A minha mãe a deixar-me naquele lugar vazio de rãs em regatos de água. Os meus olhos aflitos no meio do clarão da manhã de Outono. As carteiras de madeira com tampo inclinado e tinteiro para encher a caneta de aparo. O terror de me imaginar a escrever com caneta de tinta permanente e sujar o papel com respingos. A minha memória episódica, descarnada de factores circunstanciais, deve ter tido o seu berço no meu primeiro dia de aulas. Não tenho a mais pequena ideia da sala, da cara da professora, do número de colegas ou do intervalo. Mas lembro-me claramente das patas de cavalo gigantes entre as trepadeiras, do alecrim e do portão alto e estreito de ferro fundido que me impedia de fugir.Até aos dez anos, aprendi que a mudança é o meu lugar de permanência, pelo que o tempo sagrado e consagrado tomou o leme do barco de noz em que navego. Os minutos são importantes, tanto quanto os segundos em que se dividem. É impossível voltar ao segundo em que digitei a palavra segundos. Essa voracidade das horas tornou-as bentas e em terreno santificado pelo inacessível vivo desde então.Aos dez anos, descobri também que os adultos não eram os deuses que viviam imaculados dentro de mim. Recordo, como ponto de viragem, o dia em que percebi que a dona Luísa, uma vizinha desse tempo, mentia como se fora uma criança. A menina assustada que vivia dentro de mim deu um salto no tempo. Imaginei a dona Luísa na vida eterna com um cartaz nas costas onde, entre outras lacunas humanas, se podia ler a palavra mentirosa. Era assim que a minha mãe me descrevia a vida depois da morte. Dizia ela que todos teriam, nas costas, em letras gordas, os maiores pecados cometidos. Seria aquela humilhação o inferno da eternidade. Os santos, claro, teriam apenas registadas as virtudes. Essa visão maniqueísta e simples da vida e da sua suposta eternidade era razão suficiente para vigiar os actos, as palavras e as omissões.
Anos 70 "O que sei de mim começou a acontecer por volta dos quatro anos, quando me tornei, de uma só vez, proprietária e agricultora. Cerquei com pedras um pedaço de solo para nele experimentar o direito à propriedade privada e aos afectos dos gestos repetidos. Adoptei-o sem autorização, tal como os homens fundadores da sociedade civil que se apossaram das terras e ousaram chamá-las suas. Também assim fiz. Medi o local frontispício ao pequeno café da minha mãe e passei a cultivá-lo. Não me lembro de alguém ter reparado nesse meu acto insubordinado de emancipação latifundiária.Todos os dias esquadrinhava os movimentos do canteiro, para aprender a força telúrica da terra. Um feijão destacou-se em altura e beleza de todas as outras sementeiras. Orientei o seu crescimento com uma estaca e ele desabrochou em flores.Nessa altura, iniciei também estudos de biologia aplicada. Seguia o coaxar das rãs, nos regatos, para descrever a geografia dos percursos dos batráquios e recolhia cascas de árvores que dispunha por grupos de análise morfológica.Nunca ninguém soube das minhas investigações silenciosas e do destino traçado de cientista/agricultora.O feijão gigante e florido do meu canteiro permanecerá, de entre todas, como a mais estonteante e douta experiência. Por imperativos laborais de meu pai, dele me apartei quando ainda não sabia dividir o tempo em passado e futuro. Soube, todavia, sonhar durante longos dias com o meu feijoeiro todo florido e descobri que, por mais decisivas que sejam as razões da vida, nada manda no que, dentro de nós, continuamos a alimentar e a deixar crescer.Abandonei o ofício de cientista quando comecei a frequentar a escola que sempre temi e desejei em partes iguais. Tive muitas professoras, muitos colegas e inúmeros lugares de carteira, mas o primeiro dia de aulas permanece distinto. As escadas íngremes a terminarem no portão estreito de ferro. A minha mãe a deixar-me naquele lugar vazio de rãs em regatos de água. Os meus olhos aflitos no meio do clarão da manhã de Outono. As carteiras de madeira com tampo inclinado e tinteiro para encher a caneta de aparo. O terror de me imaginar a escrever com caneta de tinta permanente e sujar o papel com respingos. A minha memória episódica, descarnada de factores circunstanciais, deve ter tido o seu berço no meu primeiro dia de aulas. Não tenho a mais pequena ideia da sala, da cara da professora, do número de colegas ou do intervalo. Mas lembro-me claramente das patas de cavalo gigantes entre as trepadeiras, do alecrim e do portão alto e estreito de ferro fundido que me impedia de fugir.Até aos dez anos, aprendi que a mudança é o meu lugar de permanência, pelo que o tempo sagrado e consagrado tomou o leme do barco de noz em que navego. Os minutos são importantes, tanto quanto os segundos em que se dividem. É impossível voltar ao segundo em que digitei a palavra segundos. Essa voracidade das horas tornou-as bentas e em terreno santificado pelo inacessível vivo desde então.Aos dez anos, descobri também que os adultos não eram os deuses que viviam imaculados dentro de mim. Recordo, como ponto de viragem, o dia em que percebi que a dona Luísa, uma vizinha desse tempo, mentia como se fora uma criança. A menina assustada que vivia dentro de mim deu um salto no tempo. Imaginei a dona Luísa na vida eterna com um cartaz nas costas onde, entre outras lacunas humanas, se podia ler a palavra mentirosa. Era assim que a minha mãe me descrevia a vida depois da morte. Dizia ela que todos teriam, nas costas, em letras gordas, os maiores pecados cometidos. Seria aquela humilhação o inferno da eternidade. Os santos, claro, teriam apenas registadas as virtudes. Essa visão maniqueísta e simples da vida e da sua suposta eternidade era razão suficiente para vigiar os actos, as palavras e as omissões.
Anos 80 Na adolescência, abandonei o medo da condenação eterna e aproximei-me de Morin quando dizia que os deuses existem porque nos cavalgam. A vida não necessitava de explicações para além de si mesma. As tardes com os grupos de amigos, no rio, ou a estudar matemática completavam, sem condições metafísicas, a existência. Foi também o tempo de ir estudar para longe de casa, inicialmente sob a supervisão das freiras de um colégio católico do qual só podia sair durante o horário lectivo. A minha mãe autorizou passeios, de carácter extraordinário, pela cidade dos Arcebispos, sob a vigilância do meu irmão, pelo que era, de entre quase todas as jovens daquele espaço monacal, a que maior uso fazia da liberdade. Por lá permaneci dois anos. Deve ter sido ali que reencontrei Deus oculto, talvez, na face da irmã que vigiava as horas de estudo, na sala enorme contígua ao claustro. Aquele colégio recebia também crianças abandonadas ou jovens de parcos recursos económicos, chamadas internas, que pagavam a sua permanência com trabalhos domésticos. As que pagavam mensalidade estavam apenas obrigadas a frequentar a sala de estudo e a cumprir as regras monásticas de tomar banho após o jantar e deitar-se às dez, quando uma das freiras vinha apagar as luzes e vigiar a ordem das camaratas. Era uma espécie de sociedade de castas.
A segunda parte da década de 80 foi incendiada pela paixão. Uma paixão recusada pelo medo de a perder. O meu mais querido amigo iria permanecer por uma década, o meu grande amor, sem que disso alguma vez lhe desse conta. Outros namorados serviam a necessidade de, por interposta pessoa, beijar uma boca impossível. "A Ponte para a Eternidade" de Richard Bach encurtou distâncias e amainou a nostalgia. Sublinhei a frase "Voltaremos sempre aos braços de quem amamos, seja a nossa separação de um dia ou de uma vida" e deixei imaculada a ternura a fechar a década de oitenta com um fado de Nelson de Barros, na voz de Cidália Moreira, cujo cabelo azeviche lhe valeu o cognome de cigana do fado: "Ai quem me dera ter outra vez vinte anos".
A segunda parte da década de 80 foi incendiada pela paixão. Uma paixão recusada pelo medo de a perder. O meu mais querido amigo iria permanecer por uma década, o meu grande amor, sem que disso alguma vez lhe desse conta. Outros namorados serviam a necessidade de, por interposta pessoa, beijar uma boca impossível. "A Ponte para a Eternidade" de Richard Bach encurtou distâncias e amainou a nostalgia. Sublinhei a frase "Voltaremos sempre aos braços de quem amamos, seja a nossa separação de um dia ou de uma vida" e deixei imaculada a ternura a fechar a década de oitenta com um fado de Nelson de Barros, na voz de Cidália Moreira, cujo cabelo azeviche lhe valeu o cognome de cigana do fado: "Ai quem me dera ter outra vez vinte anos".
Anos 90 Depois de tirar o primeiro curso que me habilitou a dar aulas a crianças do 1.º ciclo, em aldeias encravadas na serra, o Deus que, às vezes, espreitava do rosto da irmã Irene ficou maior. Quando somos confrontados com a dor de uma criança, ou de muitas, há sempre um Deus por perto para responder à inquietação que nos varre o peito de lés-a-lés. Um Deus que fica imenso e todo-poderoso quando os nossos alunos passam a ter a nossa idade mas não sabem falar, nem se alimentam sozinhos. Ou quando alguns deles, distantes do padrão convencionado de normalidade, nos dão lições de humanidade maiores que as de Erasmo de Roterdão e Luther King.
A pequenez perante o "outro" obrigou-me a retomar o meu papel de aprendiz. Pela ilusão de lá se encontrarem as coisas que eu não sei, a Universidade tem sido também um lugar de permanência. O mesmo que encontrei quando o trabalho com alunos cedeu lugar à labuta com professores, pais, autarcas, empresários e técnicos de saúde, na senda de ir acrescentado justiça à escola pública. Na esperança de sensibilizar para a aceitação da diferença, enquanto potencial de enriquecimento colectivo.
Foram muitos os dias longos a preparar salões e Seminários. A cuidar do transporte de pianos para que algumas noites de "In"formação fossem atravessadas pela magia de uma sonata tocada por um cego total. Sim, eu vi muitos corpos parados na música com a ancestralidade da emoção a tornar líquidos os olhares.
Às vezes, só o confronto com a genialidade de quem luta sem ver destrói o preconceito que dá lugar à interrogação sobre os porquês da vida.
O Associativismo e o trabalho voluntário de distribuição de bens e brinquedos pelas aldeias serviram para ganhar a arrogante convicção de que se não é possível mudar o mundo, de uma assentada, é fácil transformar as tardes e os anoiteceres dos que vivem sozinhos e das crianças. Tão fácil quanto assombroso! A minha herança de abraços torna ridículos os tesouros de Tutankhamon e insignificantes os diplomas académicos que, no escritório, se expõem vaidosos. Como é vã, passageira e imprópria a vida gasta na ausência da gratidão e de sorrisos.
A pequenez perante o "outro" obrigou-me a retomar o meu papel de aprendiz. Pela ilusão de lá se encontrarem as coisas que eu não sei, a Universidade tem sido também um lugar de permanência. O mesmo que encontrei quando o trabalho com alunos cedeu lugar à labuta com professores, pais, autarcas, empresários e técnicos de saúde, na senda de ir acrescentado justiça à escola pública. Na esperança de sensibilizar para a aceitação da diferença, enquanto potencial de enriquecimento colectivo.
Foram muitos os dias longos a preparar salões e Seminários. A cuidar do transporte de pianos para que algumas noites de "In"formação fossem atravessadas pela magia de uma sonata tocada por um cego total. Sim, eu vi muitos corpos parados na música com a ancestralidade da emoção a tornar líquidos os olhares.
Às vezes, só o confronto com a genialidade de quem luta sem ver destrói o preconceito que dá lugar à interrogação sobre os porquês da vida.
O Associativismo e o trabalho voluntário de distribuição de bens e brinquedos pelas aldeias serviram para ganhar a arrogante convicção de que se não é possível mudar o mundo, de uma assentada, é fácil transformar as tardes e os anoiteceres dos que vivem sozinhos e das crianças. Tão fácil quanto assombroso! A minha herança de abraços torna ridículos os tesouros de Tutankhamon e insignificantes os diplomas académicos que, no escritório, se expõem vaidosos. Como é vã, passageira e imprópria a vida gasta na ausência da gratidão e de sorrisos.
Anos 2000 O ano 2000 surge encimado por um acontecimento prodigioso. O nascimento do meu sobrinho mais novo com trissomia 21. Para quem nunca viveu nada parecido direi metaforicamente que é algo semelhante a ser transportado magicamente para além do círculo polar árctico e não encontrar noite para repousar da luz intensa. Mas a luz acaba por obrigar a ver quão sombrias são as nossas convicções de felicidade e bonomia.
Até ao ano de 2010, os dias sucederam-se entre o improvável, que nos desafia no limite da vertigem, e o milagre que nos salva para que possamos continuar a contar histórias com saldo positivo e algum capital de esperança.
Voltei ao Alentejo para pisar o chão do qual me levantei e abraçar longamente as mãos que me ergueram e trouxeram ao colo. Somos sempre órfãos - disse Listopad, numa tarde soalheira, à sombra de plátanos antigos, nos confins do Minho - até encontrarmos braços amigos que nos acolham. O meu regresso ao Alentejo profundo trouxe-me os primeiros olhares de fada da minha madrinha. E, quem tem uma fada madrinha tem, por inerência, uma varinha de condão.
Este lugar, despido de materialidade, onde agora vos encontro é outro dos milagres que, como a luz que abre o portão da garagem me espanta e comove. Estou muito feliz por estar entre vós.
O assombro estende-se às infindáveis histórias emboscadas na memória onde a realidade e a fantasia se vão misturando, diluindo e transformando. Escrever é uma forma de agasalhar memórias puras ou trabalhadas pelo tempo, tal como quem guarda fotografias amareladas e nelas vai descobrindo detalhes que, imiscuídos no cenário, não se viam num primeiro olhar. Mil contos, centenas de poemas, alguns romances estão acotovelados dentro de mim. Alguns foram já registados pelas teclas do computador, necessitando de revisão e ordem. Outros estão abertos em duas ou trinta páginas. Seja lá pelo que for, escrevo com o mesmo imperativo com que bebo água, ando descalça pela relva, colecciono pedras e adormeço à sombra dos plátanos.
De mim direi, por fim, que aprendi na universidade o plausível e na vida o extensíssimo improvável com que ela se faz. De pouco nos vale o que julgamos saber. Na vida, como na ciência, seremos sempre surpreendidos pelo comportamento autónomo da energia subatómica das partículas."
Até ao ano de 2010, os dias sucederam-se entre o improvável, que nos desafia no limite da vertigem, e o milagre que nos salva para que possamos continuar a contar histórias com saldo positivo e algum capital de esperança.
Voltei ao Alentejo para pisar o chão do qual me levantei e abraçar longamente as mãos que me ergueram e trouxeram ao colo. Somos sempre órfãos - disse Listopad, numa tarde soalheira, à sombra de plátanos antigos, nos confins do Minho - até encontrarmos braços amigos que nos acolham. O meu regresso ao Alentejo profundo trouxe-me os primeiros olhares de fada da minha madrinha. E, quem tem uma fada madrinha tem, por inerência, uma varinha de condão.
Este lugar, despido de materialidade, onde agora vos encontro é outro dos milagres que, como a luz que abre o portão da garagem me espanta e comove. Estou muito feliz por estar entre vós.
O assombro estende-se às infindáveis histórias emboscadas na memória onde a realidade e a fantasia se vão misturando, diluindo e transformando. Escrever é uma forma de agasalhar memórias puras ou trabalhadas pelo tempo, tal como quem guarda fotografias amareladas e nelas vai descobrindo detalhes que, imiscuídos no cenário, não se viam num primeiro olhar. Mil contos, centenas de poemas, alguns romances estão acotovelados dentro de mim. Alguns foram já registados pelas teclas do computador, necessitando de revisão e ordem. Outros estão abertos em duas ou trinta páginas. Seja lá pelo que for, escrevo com o mesmo imperativo com que bebo água, ando descalça pela relva, colecciono pedras e adormeço à sombra dos plátanos.
De mim direi, por fim, que aprendi na universidade o plausível e na vida o extensíssimo improvável com que ela se faz. De pouco nos vale o que julgamos saber. Na vida, como na ciência, seremos sempre surpreendidos pelo comportamento autónomo da energia subatómica das partículas."
Fátima Marinho - Alphabetum
BIBLIOGRAFIA
Quem sou, quando não sei?
Académico
À procura de um lugar
Conto
O mistério das coisas erradas
Crónica
Ama-me sem me suportares
Poesia
Site da autora: Fátima Marinho
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Sagrada
SAGRADA
Se eu não soubesse que a minha vida é mais sagrada do que todos os nomes santos,
Hoje não escrevia este poema.
Tinha saltado da ponte,
Ou cortado as veias.
Se eu não soubesse, sem saber porquê, que cada minuto, neste degredo, contém um segredo,
Tinha disfarçadamente caído para a avenida,
No mesmo lugar onde uma antiga amiga caiu disfarçadamente,
Para fintar as vozes que se aprumariam por
ela se matar.
Se eu não soubesse que o horror em que vivo me é devido,
Por inalcançáveis razões,
Hoje não escrevia este poema.
Tinha incinerado o corpo,
Para que ninguém perdesse tempo num catálogo de caixões.
Estou mais que morta e vivo, apesar disso,
Sei que é preciso pisar hirta até o último segundo,
Só não sei porque razões escolhi (se é que escolhi, como dizem por aí), neste buraco fundo,
O caminho mais sombrio!
Se não morri de um ventre descontente
É porque o caminho existe.
Porque não te revelas, ó Deus triste!
Porque não vens aqui chafurdar nesta lama,
Com esta que Te clama por piedade e não salta da ponte
Em prol da eternidade!?
domingo, 10 de junho de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Ama-me - sem me suportares!
Fátima Marinho
SINOPSE: "Um livro de poesia é sempre uma ribeira brava, que a todo o momento pode galgar as margens e afogar o que nos sufoca. Nesse sentido, é também uma libertação inconsciente de arquétipos imemoriais. As palavras quando se juntam à roda de uma ideia deixam as ideias à roda até que todas caiam reconciliadas no chão. É assim que a poesia se intromete nos gestos do quotidiano e, transcendendo-os, os transfigura. Este é um livro onde os afectos servem a poesia que deles se serve para ser o que é."
Excerto
Vozes
No fio, de luz, da vela, voltejam,
As vozes que o tempo calou.
Percorrem-me e colam-se nas paredes,
Franqueiam os móveis,
E sentam-se na cadeira de talha...
Não há silêncio que valha,
Ao silêncio das vozes que perdi.
0% de ADN - Poesia
0% de ADN
Viver noutro corpo,
Esquecido de quem foi antes de mim
Viver assim sem ser eu, nem ele, nem ninguém
Viver simplesmente
Sem sonhos de gente
Sem ânsias de dor,
Sem medo,
Sem a escravidão a que me obriga o nome
Que no corpo trago pegado.
Ai, ser nada, ser ninguém
Andar sem ser achado
E sem encontrar outrem.
Não ter género e não fazer género.
Não ser ele, nem ela,
Tão pouco hermafrodita.
Ser apenas o olhar perdido no regato
Que se fará ribeira e depois mar.
Fátima Marinho
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