sexta-feira, 25 de julho de 2014

Alma Rebelde - Opinião

SINOPSE: "No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?"


A opinião da Margarida 

Acabei de ler o livro da Carla pelas 4h da madrugada. Demorei mais do que o previsto, mas apenas por factores externos, pois que se me tivessem deixado, tê-lo-ia lido de um fôlego. Fiquei em choque, boquiaberta com a intensidade do livro. Fiquei sem palavras!
Se alguma dúvida ainda tivesse sobre os bons escritores e as boas escritas que por cá existem, estas dissiparam-se ao ler este “Alma Rebelde”.
Fiquei tão agradavelmente surpreendida que nem sei por onde começar, nem como dizer em poucas palavras o que senti ao lê-lo!

A sinopse deixou-me curiosa: um romance de época/histórico, tanto do meu agrado, um pouco da História deste nosso Portugal… Não descansei enquanto não consegui ter o livro! No entanto tive os meus receios. Um romance histórico pareceu-me um projecto bastante ambicioso para um primeiro livro. Felizmente os meus receios não se confirmaram: era ambicioso sim, mas a Carla deu “conta do recado”, para nosso deleite!

Não sou crítica literária nem tampouco tenho qualquer formação na área da literatura, para além daquela que a leitura me dá, por isso o que aqui digo, vale o que vale apenas do meu ponto de vista enquanto leitora. Adoro romances históricos e este conquanto o considere mais um romance de época que propriamente histórico, prendeu-me desde o início. Embora as referências históricas não sejam muitas, quanto a mim estão na medida certa, a trama em si e para além do romance é o retrato fiel de uma época em que o papel da mulher estava muito abaixo de secundário, em que não lhe era dado sequer o direito de pensar por si própria

A escrita da Carla já me tinha cativado num pequeno conto e confirmou-se o que senti nessa altura. É uma escrita fluída e cativante e que mesmo nas entrelinhas se deixa ler com facilidade e agrado. A escolha de uma linguagem própria da época e a troca de correspondência entre Joana e a prima, que no século XIX era muitas vezes o único escape da mulher só enriqueceram a obra!

As personagens, magistralmente trabalhadas, conseguem ao longo do livro entranhar-se-nos na alma, na pele e mesmo no coração… Fazem-nos sofrer por elas, rir com elas, esperar com elas, enfim… entranham-se!
Joana, preparada desde sempre para um papel de mulher e esposa obediente e em que a sua vontade não tem qualquer peso ou valor e apesar de por vezes me ter irritado com os seus receios e a sua tendência para sofrer por antecipação, com os seus avanços e recuos na sua relação com Santiago, agradou-me muito.
Santiago é o tipo de homem com que qualquer mulher da época só nos seus devaneios românticos, podia sonhar ter. Ainda hoje um Santiago daria prazer ter por perto!
A mãe de Santiago, D. Ana uma ternura de senhora (talvez por conhecer ela própria as ansiedades de Joana, na primeira pessoa) e o pai, D. Miguel um retrato perfeito da supremacia masculina da época e da nobreza empobrecida, mas rica em altivez.
As amas de ambos, cheias de amor e enlevo pelos seus “meninos” encantadoras, embora a determinada altura me tivesse parecido que ficaram um pouco esquecidas…
A certa altura tive algum receio que o romance “descambasse” para um excesso de cenas de sexo tão comum nos romances que hoje se escrevem… Mas tal como Sveva Casati Modignanni, quando José Rodrigues dos Santos nas suas “Conversas de escritores” comentou que os livros dela não tinham cenas de sexo, disse com muita simplicidade que não achava necessário, eu acho que da mesma forma a Carla nos leva a elas sem haver necessidade de descrições exaustivas, sem cair em vulgaridades!
O fim só poderia ter sido aquele, ainda que a Carla com mestria nos tivesse, perto do fim enredado de tal forma, que quase imaginámos outro desfecho.

Adorei! Os meus sinceros parabéns Carla. E fico já à espera de um novo livro…


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Eu já vi! 200

E, chegámos aos 200 posts sobre capas "copiadas"!
Muito obrigada a quem me tem ajudado nesta maratona. Obrigada Raquel Leite, Verónica Silva, Elisabete Carrito, Inês Santos, Mafalda Férias e outros que nem sequer se identificam. Espero que continuem a acompanhar-me. Conto convosco! :)

Hoje deixo-vos um grupinho de quatro capas sugeridas pela Elisabete e pela Raquel e uma que eu mesma encontrei.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Maze Runner, Correr ou morrer - Opinião

 SINOPSE: "Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado - a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo."



A opinião da Filipa

Começo por dizer que estou ansiosíssima pelo segundo volume.
Este é um género que estou a descobrir recentemente e um género por que estou completamente apaixonada.

Todo o mistério que rodeia este livro, desde o início até ao fim é fenomenal.
Toda a história tem princípio, meio e fim, sempre em crescendo de intensidade.

Um grupo de miúdos são levados para um sítio (a clareira), em que, chegando lá, não têm memória ou recordações da vida anterior.
A clareira tem um labirinto e toda a nova vida de quem chega, vai ser à volta desse mesmo labirinto, descobrir o porquê de estar ali e do porquê de à noite, toda a clareira ser isolada do labirinto, pois vivem seres monstruosos dentro do mesmo.

Existem grupos para fazerem a vida "normal" dentro do espaço exterior do labirinto, criando animais, plantas, espaço para estudo das mudanças que ocorrem no dia-a-dia, uma cozinha, grupos para limpezas do espaço, etc.

Estão há dois anos na clareira e ainda não conseguiram descobrir uma maneira de sair.
Sabem que estão a ser observados e vão explorando variáveis possíveis, caminhos, novas ideias, ao longo de todo o livro.

É um livro super misterioso, com todos os ingredientes para nos manter curiosos e a virar página atrás de página.
Algumas mortes, uma em particular, dolorosa.

Estive sempre a tentar perceber o fundo da questão.
Porque é que ali estavam, porquê aquela selecção de pessoas, (com várias características, como por exemplo a idade e o facto de serem apenas rapazes), como funcionavam os bicharocos do labirinto, qual o papel dos escaravelhos metálicos na trama, porque é que as pessoas não têm memória ou só se recordam dela quando são atacados de alguma forma pelos bichos, qual a saída do labirinto, o que significa a palavra "CRUEL", qual o significado das placas dentro do labirinto, porque é que a telepatia só funciona para duas pessoas, quem são as pessoas no fim do livro, boas, más, o que é o clarão? O que significa a terra queimada? Porque é que alguns que têm acesso a réstias de recordações temem o possível regresso à vida normal?

Só um ponto negativo mas que não me faz diminuir a pontuação.
A linguagem dos personagens na Clareira.

Quero tanto ler o próximo volume!


terça-feira, 22 de julho de 2014

Eu já vi! 199

Com a ajuda da Raquel Leite, cá estão duas capinhas bastante atuais.
Qual preferem?!


segunda-feira, 21 de julho de 2014

O segredo do meu marido - Opinião

SINOPSE: "Cecilia encontrou a carta acidentalmente. Na penumbra do sótão, soube de imediato que não devia lê-la. Que devia devolvê-la ao seu esconderijo, fingir nunca a ter encontrado e respeitar a vontade do marido. Afinal amava John-Paul. Juntos, tinham três filhos e uma vida sem sobressaltos. Argumentos que de pouco serviram perante a sua curiosidade crescente. E quando começou a ler, o tempo parou. A confissão de John-Paul fulminou-a como um raio, dividindo a sua vida em dois: o antes e o depois da carta. Cecilia vai ficar agora perante uma escolha impossível. Se o segredo do seu marido for revelado, tudo o que construíram será destruído. Mas o silêncio terá um efeito igualmente devastador. Porque há segredos com os quais não se pode viver."


A opinião da Vera
 
Se quer um livro para devorar, daqueles que não conseguimos largar, este é O livro. Prende-nos logo desde as primeiras páginas, quando Cecília encontra por acaso uma carta que o marido lhe escreveu, para ler após a sua morte. Os dados estão lançados: será ela capaz de não ler a carta?

Este livro conta-nos a história não só de Cecília, mas também de Tess e de Rachel.
Cecília é uma mãe envolvida na comunidade e na escola dos filhos, tem listas intermináveis e uma vida organizada meticulosamente. Até que A carta vem dar um abanão na sua vida. Quando percebe que o marido John-Paul ficou transtornado e faz tudo para encontrar a carta (apesar de lhe ter dito que era uma carta sem importância) ela acaba por querer saber a razão de tal desespero e o seu mundo desaba.

Tess é uma mãe e esposa feliz até o marido e a prima, e melhor amiga, lhe dizerem que se apaixonaram. Parte com o filho Liam e a sua dor para casa da mãe, para sarar as feridas e dar um rumo na sua vida.

Rachel é uma mulher viúva cuja filha foi assassinada aos dezassete anos. O facto de nunca ter sido descoberto o assassino fez com que a sua vida tenha parado há muitos anos atrás. Mas ela tem quase a certeza de quem matou a sua filha. E, ainda por cima, ele trabalha na mesma escola que ela. O que estará ela disposta a fazer para apurar a verdade? Principalmente agora que a única alegria da sua vida, o seu neto Jacob, vai partir para Nova Iorque com os pais.

O livro está repleto de dramas e mistérios do passado que adensam a narrativa e nos fazem querer descobrir os segredos das personagens. Apesar da revelação ter sido feita mais ou menos a meio do livro, a autora consegue que o leitor continue agarrado à leitura, porque na verdade há que saber como tudo vai ser resolvido.

Num cenário pacato e numa comunidade onde a entreajuda é a palavra de ordem, como irão eles reagir aos acontecimentos que estão prestes a abanar a estrutura familiar das famílias destas mulheres?
Dilemas familiares, antigas alianças ameaçadas, laços de família que falam mais alto do que os valores morais, segredos revelados que irão abanar as certezas de algumas personagens.

E o epílogo? O melhor que já li. Achei fascinante a forma como a autora terminou o livro. É mágico, faz-nos pensar... muito. Adorei. Um livro fantástico.


domingo, 20 de julho de 2014

Vida noutro Blog 117

Mais um domingo, mais um blog que vos convido a visitar e a seguir.
"Marcador de Livros" é um espaço fantástico, administrado pela Maria Manuel Magalhães. É um espaço visualmente muito agradável, cheio de interesses, novidades, boas leituras e ótimas opiniões. 
Sem dúvida um dos meus locais de eleição!




sexta-feira, 18 de julho de 2014

A filha do Barão - Opinião

SINOPSE: "Quando D. João tece a união da sua única filha, Mariana de Albuquerque, com o seu melhor amigo - um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto -, não prevê a espiral de desenganos e provações que causará a todos. Mariana tem catorze anos e Daniel Turner vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse, o exército francês está ao virar da esquina, pronto a tomar o Porto e, a partir daí, todo o país. No seu retiro nos socalcos do Douro, Mariana recomeça uma vida de alegrias e liberdade até que um soldado francês, um jovem arrastado para um conflito que desdenha, lhe bate à porta em busca de asilo. Daniel está longe, a combater os franceses, e Gustave está logo ali, com os seus ideais de igualdade e o seu afecto incorruptível, disposto a mostrar-lhe que a vida é mais do que um leque de obrigações."


A minha opinião

O meu gosto por “teimar” em acompanhar os novos autores portugueses, levou-me a descobrir a Célia Correia Loureiro, uma autora emergente, uma joia em bruto! Li as três obras que a autora já publicou e uns escritos mais breves em eBook e tornei-me sua fã. Descobri nas suas palavras a força de um verdadeiro escritor e a garra de uma pessoa muito forte que, apesar de jovem, já viveu muito, sofreu desaires, mas tem os pés bem assentes no chão. A Célia sabe o que quer, tem uma capacidade enorme de amar e de voar bem alto nos seus sonhos e nas suas concretizações. Tem a capacidade de saber ser feliz.

Não vai ser uma opinião fácil de escrever, há tanto para dizer e nada para escrever. Há muito para dizer porque “A filha do Barão” é uma obra magnífica em praticamente todas as vertentes do Romance Histórico. Nada para escrever porque perante um trabalho que considero muito bom, a beirar o excelente, tenho por isso pouco ou nada a acrescentar. Digo que o trabalho é quase excelente porque acredito que a Célia nos vai continuar a surpreender com a sua escrita no futuro. Neste momento, penso que ela atingiu um patamar bastante elevado, mas acredito também que ela encontrará formas de crescer ainda mais e chegar muito mais além.

Não vou contar a história, nem entrar em pormenores sobre ela, pois penso que essa função cabe a cada leitor e deve ser feita sem grandes influências. No entanto, tenho de realçar que o livro nos conta uma bela história de amor e desencontros bem ao estilo do povo que somos. A vertente histórica do livro está extremamente bem cuidada e é uma mais-valia, tornando-o único. A Célia é uma contadora de histórias nata, escreve e descreve sem par. A sua escrita é clara, fluída, mas de forma tão rica e cativante que nos embala na leitura e nos transporta para dentro dela fazendo de nós mesmo personagens do próprio livro. É certo que a Célia usa bastante a descrição, mas esta não me cansa, por ser tão bem construída e tão bem enquadrada. A nível das personagens, nada tenho a apontar, estão bem construídas, bem desenvolvidas, maduras, interessantes, marcantes. Todas elas são parte importante no enredo, todas elas desempenham um papel decisivo na narrativa e todas elas nos deixam um travo amargo na boca, porque ficamos com a vontade de saber mais e mais sobre cada uma. 

Muitos parabéns Célia, acabaste de marcar o teu lugar na escrita em Portugal. Acabaste de mostrar aos teus leitores que realmente tens talento e que o sabes usar com inteligência e mestria. Continua a trabalhar neste teu sonho que nos ajuda a sonhar também. Continua a ser tu mesma, essa pessoa dedicada, humilde e verdadeira que ama a família, a escrita e os animais acima de qualquer coisa. Tenho que confessar que sinto um orgulho enorme em ti, como se fosses um pouco parte de mim, porque fui uma das tuas primeiras leitoras, porque sempre acreditei em ti e porque te vejo crescer e vencer. Desculpa se é uma posição egoísta da minha parte, mas é esse o sentimento que me abraça de momento. Foi esse o sentimento que me embalou nesta leitura e que perdurou para além dela.

A única coisa que peço, é que não te demores muito com a continuação. Não vai ser fácil esperar!
“A filha do Barão”, uma leitura que considero obrigatória para quem gosta de Romance Histórico e para quem gosta de ler em português!
 

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