
Guardo, fielmente, comigo
um emaranhado de papéis
tão velhos como o tempo...
têm as pontas dobradas de tanto os manusear
em revisões constantes
em visitas sempre novas para os não deixar
morrer
São folhas soltas amarelecidas
onde a tinta que antes usava de caneta
permanente
começa a esmaecer
Como se o luar secasse e se afundasse
no sonoro abraço com que as suas ondas
se abraçam à praia
onde vêm beber saudade
e morrer
ao fim do dia
São restos do "eu" estilhaçado
São o grito...
são um grito de silêncio
impotente, imposto
no fundo da garganta
duma boca amordaçada
São o silêncio desta guerra
que se abate sobre nós
São o silêncio do vazio
mas são também
o não às palavras que ficam por dizer
Sem comentários:
Enviar um comentário